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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A justificativa convence?



Acabo de ler no Portal IG uma matéria sobre o vazamento das provas do Enem. Como trabalho com ensino superior e minha especilização é na área de logística, acho que o conteúdo tem tudo a ver com o blog. Segue a notícia:



Plano logístico do Enem foi alterado sem autorização do MEC, diz ministro

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou, nesta quarta-feira, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara, que as empresas responsáveis pela impressão e manuseio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mudaram o plano logístico sem informar o MEC.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacioanis (Inep) também não foi avisado sobre qualquer alteração no programa.

“O plano logístico nos últimos dias foi alterado, as provas foram manuseadas por pessoas recém-recrutadas do entorno da gráfica, da região de Barueri, sem preparo. Essa questão é que precisa ser esclarecida”, afirma.

Segundo o ministro, neste ano, a impressão dos testes seria feita em uma gráfica em São Paulo e o manuseio dos exames seria realizado no Rio de Janeiro, na FunRio, fundação de apoio da UniRio. “Sem que o Inep fosse informado, foi aberto em São Paulo um local de manuseio. Mesmo que houvesse uma comunicação do consórcio, isso não os exime da responsabilidade pela segurança”, alegou.

Haddad disse acreditar que essa área de manuseio, que não estava prevista, facilitou o roubo da prova. "Precisamos saber quem autorizou a criação desse ambiente onde se deu o delito. O auditor deve ficar atento a essa questão", frisou.

O ministro ressaltou que, embora o local fosse filmado, isso só serviu para identificar quem cometeu o delito. Porém, "o mal já havia sido feito e milhões de pessoas foram prejudicadas".

Haddad disse ainda que a administração pública estabeleceu um processo civil para identificar quem irá responder sobre os prejuízos causados à União, uma vez que as provas já tinham sido impressas.

Vestibulares

O ministro também criticou o atual sistema de seleção vigente no País, que, segundo ele, é excludente. “O modelo não atende às necessidades; vimos universidades públicas do mesmo Estado realizando vestibulares no mesmo final de semana. E, mesmo que fossem em dias diferentes, o aluno teria que pagar três taxas. Há algo errado com este sistema de seleção”.

Haddad acrescentou que irá continuar dialogando com reitores das universidades para “superar essa dificuldade inicial” e implantar o novo Enem.

O ministro finalizou sua participação na Câmara dizendo querer que o Enem seja feito com total "transparência, para que os resultados expressem competências e habilidades adquiridas pelos alunos". Ele reiterou que o adiamento foi a decisão correta e que não cabia outro procedimento.

Haddad acrescentou também que a ação deve servir para propriciar um debate no Brasil sobre como proteger os concursos públicos. "É um assunto de segurança pública, de segurança do Estado", afirma.

Nesta quarta-feira, Haddad falará também na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, no Senado, que está marcada para as 14h30.

Vazamento

As provas do Enem, que estavam programadas inicialmente para os dias 2 e 3 de outubro, foram adiadas após indícios de vazamento.

Na tarde do último dia 30, o jornal "O Estado de S. Paulo" foi procurado por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado e no domingo. Propôs entregá-las à reportagem em troca de R$ 500 mil.

O ministro, que diz nunca ter tido acesso ao conteúdo da prova, confirmou o vazamento ao consultar técnicos do Inep, órgão do ministério responsável pelo Enem.

A Polícia Federal (PF) afirmou que o caso do roubo da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está esclarecido. Cinco pessoas foram indiciadas.

Nova data

O ministro da Educação confirmou que o Enem será aplicado nos dias 5 e 6 de dezembro. Os vestibulares que estavam agendados para estas datas devem mudar de dia. Segundo Haddad, os reitores das três universidades federais que estavam nessa situação se prontificaram a alterar seus calendários.

“Nós contatamos os três reitores – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), UNB (Universidade de Brasília), UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) – e todos concordaram com a liberação da data”.


Leia mais sobre o vazamento das provas do Enem

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Hoje é o dia do Administrador


Hoje é dia do Administrador! A data marca o aniversário da regulamentação da profissão, que ocorreu através da lei 4.769 de 09/09/1965.
Como membro desta categoria (registro CRA/SC 8090), a data me faz lembrar que os administradores ainda precisarão de muito trabalho para se equipararem a outras profissões que possuem atribuições exclusivas da área.
É verdade que os administradores também esta prerrogativa em algumas funções, dentre as quais a atuação docente em áreas técnicas da administração - campo que tenho orgulho de trabalhar -, mas é fácil verificar através do texto da lei (no link acima) que tais atividades são poucas diante da complexidade existente no gerenciamento de negócios, além do que, imagino, uma verificação in loco comprovaria que mesmo onde a lei prevê, os administradores ainda não são responsáveis por determinadas atribuições dentro das organizações.
De qualquer forma, ser administrador é algo que me orgulho. Por isso, deixo aos interessados alguns links com os conselhos, um pouco da história e outras considerações sobre a profissão:

Escolha de combustível

Há mais de um ano, só abasteço meu carro com Álcool. Apesar de diminuir a autonomia, este combústível torna-se muito mais vantajoso no que diz respeito à economia.

A matéria com link disponível na sequência mostra que estou fazendo a coisa certa:

Abastecer o carro com Álcool é vantajoso em 18 estados

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Marketing e Logística

Como já mencionei aqui, a pesquisa que realizarei como tema de dissertação do mestrado falará da relação entre marketing e logística nas organizações, provavelmente como foco específico no comércio atacadista.

Aproveitando o tema, fiz um trabalho prévio para a disciplina Marketing. O artigo tratou desta relação em apenas uma organização, mas deu embasamento para que eu continue o trabalho.

Ainda não posso divulgar o artigo completo, mas apresento a seguir uma parte da introdução e a revisão de literatura do trabalho, o que já dá uma boa ideia sobre e tema:

1 INTRODUÇÃO

A literatura a respeito de marketing e logística indica que estas atividades possuem atribuições estreitamente relacionadas e são essenciais para organizações que vendem no atacado, sendo válido, portanto, verificar se gestores da área reconhecem esta relevância e como eles atuam para aperfeiçoar o relacionamento destas atividades.


Em essência, o marketing deve desenvolver trocas que beneficiem tanto as organizações quanto os seus clientes. Utilizando-se, para isto, de estratégias relacionadas a produtos, preços, promoção e distribuição (PRIDE; FERRELL, 2001) que formam o chamado composto de marketing (KOTLER, 2000; LAS CASAS, 2008). Neste sentido, as ações comerciais ou de vendas em uma organização estão diretamente relacionadas ao conceito de marketing, pois como esclarecem Megido e Szulcsewski (2002), dentro do composto de marketing, a função de vendas encontra-se relacionada à Promoção.

A ampla variedade de atribuições de marketing sugere um relacionamento entre as atividades comerciais e outras áreas de uma organização, dentre as quais a logística, uma vez que o primeiro elo da cadeia logística é área comercial, pois ela, juntamente com o marketing, é quem deve captar o desejo latente ou explícito do consumidor e usa os recursos que dispõe para torná-lo realidade (MARTINS; ALT, 2000).

A logística abrange ações de como a administração pode prover melhor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores (BALLOU, 1993) através de uma orientação e estrutura de planejamento que crie um plano único para o fluxo de produtos e informações ao longo de um negócio (CHRISTOPHER, 2007). Neste sentido, a logística auxilia no cumprimento das funções de marketing, em especial a distribuição, e das atividades comerciais ou de vendas de uma empresa, pois dentre outras obrigações, o vendedor precisa dedicar atenção a sua relação com o cliente para provê-lo com produtos e serviços em tempo hábil e nas condições requeridas (COBRA, 1994).

Este compartilhamento de responsabilidades entre logística e vendas pode estar presente em qualquer tipo de organização com fins comerciais, mas no comércio atacadista ele é flagrante, uma vez que um dos formatos utilizados por empresas desta área é justamente o de operador logístico, que atua como um agente de distribuição que desempenha funções de armazenagem e distribuição física, recebendo remuneração por estes serviços (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ATACADISTAS E DISTRIBUIDORES, 2009).

Se considerarmos que os atacadistas apóiam varejistas dando-lhes assistência em estratégia de marketing, especialmente sobre distribuição, atuando como condutos para informações dentro do canal de marketing e desenvolvendo atividades de transporte, manuseio de materiais, planejamento de estoque e armazenagem (PRIDE; FERRELL, 2001), e que as funções da logística envolvem a integração de informações, transporte, armazenamento, manuseio de materiais e embalagem (BOWERSOX; CLOSS, 2001), evidencia-se no comércio atacadista uma série de atividades que são desenvolvidas de forma integrada pelas áreas de marketing/comercial e logística.

Atualmente o setor atacadista passa por mudanças, pois com muitos produtores usando canais mais curtos, eles tendem a eliminar os atacadistas (LIMA et al., 2007). Para reverter este quadro, uma das estratégias adotadas por empresas atacadistas é ampliar a gama de serviços oferecidos aos clientes, indo desde o autosserviço até a transformação em operador logístico (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ATACADISTAS E DISTRIBUIDORES, 2009). Ainda, atacadistas que obtém êxito em suas funções aumentam a eficiência dos canais marketing (KOTLER; ARMSTRONG, 2003). Ou seja, para se manter no mercado eles oferecem serviços que estão diretamente relacionados às funções básicas de marketing (McCARTHY; PERREAULT, 1997).

Assim, o comércio atacadista utiliza a logística como ferramenta para desenvolver o seu trabalho, mas ao mesmo tempo necessita das funções de marketing para aplicar sua estratégia de vendas. Verifica-se assim uma interdependência destas atividades, o sugere a necessidade de comprometimento dos seus gestores para que as empresas atinjam os resultados desejados, pois, como destacam Gobe et al (2000), há uma forte ligação entre vendas e logística.

Esta integração decorre do amadurecimento dos mercados consumidores, pois o que os clientes esperam é ter o produto certo, na hora, certa, no local mais adequado e a um preço justo (GOBE et al, 2000). Entender e criar valor ao cliente oferecendo-lhe o produto certo é função de marketing (KOTLER; ARMSTRONG, 2003), mas entregar estes produtos na hora certa e no local adequado é tarefa da logística (HARA, 2005). Consequentemente, fazer isso a um preço justo depende tanto de estratégias mercadológicas quanto do controle de custos e níveis de serviços logísticos.

Entender como as funções da logística e as ações comerciais se relacionam em empresas atacadistas, segundo a percepção dos seus gestores, contribui para a formação de um corpo de conhecimento que poderá ser utilizado pelas organizações para nortear a formulação de estratégias que permitam a ampliação de seu campo de atuação, a superação de restrições operacionais e o atendimento de solicitações customizadas para os seus clientes. Além disso, o tema deste estudo pode ser replicado em outros setores, regiões ou grupo de empresas, para que os resultados obtidos possam ser contestados ou confirmados em condições específicas.

Uma organização que têm como atividade principal o comércio atacadista foi escolhida como objeto desta pesquisa por demonstrar grande preocupação com o tema, [...]. A organização foco deste estudo atua como atacadista comercial de serviço completo, fornecendo diversas linhas de mercadorias segundo a classificação de Kotler e Armstrong (2003).

Define-se como objetivo da pesquisa analisar a relação entre as atividades comerciais e de logística da empresa segundo a visão de seus gestores, descrevendo o entendimento destes sobre as funções que cada departamento realiza, identificando os procedimentos de troca de informações entre as áreas e apresentando o feedback dos clientes em relação a estas atividades.
Para isto, após a introdução é realizada uma fundamentação teórica sobre os temas do estudo, a definição da metodologia utilizada, a análise dos resultados e apresentação de conclusões acerca da pesquisa realizada.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para embasar o estudo proposto, realiza-se a seguir, a fundamentação teórica sobre os conceitos centrais utilizados na pesquisa: marketing e vendas, logística e suas atividades e comércio atacadista.

2.1 Marketing e vendas
O marketing ocorre quando as pessoas decidem satisfazer suas necessidades e seus desejos por meio de troca, que é o ato de obter algum objeto desejado oferecendo alguma coisa como contrapartida. Logo, a troca é o conceito central do marketing (KOTLER; ARMSTRONG, 2003). Neste sentido o marketing só ocorre se duas ou mais pessoas estiverem dispostas a trocar algo (McCARTHY; PERREAULT, 1997). Las Casas (2008) detalha esta posição listando cinco condições que são necessárias para que haja trocas: deve haver no mínimo duas partes envolvidas, cada parte deve ter algo de valor para a outra, cada parte precisa ter capacidade de comunicação e entrega, cada parte deve ser livre para aceitar ou rejeitar a oferta e cada parte deve acreditar estar em condições de lidar com a outra. Atendendo estas condições, continua o autor, a troca torna-se a base para a comercialização e consequentemente para o marketing.


Ampliando o entendimento sobre marketing, Kotler e Armstrong (2003, p. 3) o definem como “[...] um processo administrativo e social pelo qual os indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam, por meio da criação, oferta e troca de produtos e valor com os outros”. Além da troca, esta definição evidencia a criação de valor, que é a razão entre o que o cliente recebe (benefícios funcionais e emocionais) e os custos de aquisição - que podem ser monetários, de tempo, psicológicos, etc. - (KOTLER, 2005) e o atendimento de necessidades sociais e humanas, que deve ser feita de maneira lucrativa para as organizações (KOTLER, 2005).

O marketing fornece aos clientes e consumidores cinco tipos de utilidade: de forma (produto tangível), de tarefa (serviço), de posse, de tempo e de local (McCARTHY; PERREAULT, 1997), sendo que para fazer isso utiliza elementos conhecidos como composto de marketing ou marketing mix, que são: Produto, Preço, Distribuição (Praça/Ponto de Venda) e Promoção ou Comunicação (KOTLER, 2005; LAS CASAS, 2008; McCARTHY; PERREAULT, 1997; ETZEL; WALKER; STANTON, 2001).


Vendas é entendida como a ação que consiste em uma troca entre, no mínimo duas partes, envolvendo de um lado bens e serviços e, de outro, determinado valor monetário (MEGIDO; SZULCSEWSKI, 2002). A presença da ideia de troca neste conceito de vendas só reforça sua relação direta com o marketing.

Além disso, para implementar uma estratégia de marketing é essencial analisar todas as atividades relacionadas com o processo de conquista e manutenção dos clientes (BOWERSOX; CLOSS, 2001), buscando não só o estabelecimento de uma transação eventual, mas sim de um vínculo (MARTINS; ALT, 2000). Para fazer isso, a área de vendas é fundamental, pois como um dos principais elementos de marketing ela serve como elo de conhecimento entre o mercado e a empresa.

Megido e Szulcsewwski (2002) demonstram que há esta ligação de vendas com marketing e que ela acontece em várias tarefas mercadológicas, como segmentação de mercado, pricing, propaganda e estratégia de canais de distribuição, o que envolve também a logística, foco da análise a seguir.

2.2 Logística
A logística como área de atuação e conhecimento humano existe há muito tempo, tendo como origem o campo militar (PIRES, 2004). Atualmente é possível observar a importância dos processos logísticos em atividades distintas, como por exemplo em eventos esportivos como a Fórmula 1 (MARTINS, 2005), ou mesmo nas eleições brasileiras que ocorrem a cada dois anos de forma simultânea em todo o território nacional.


Porém é nas empresas que a logística mantém campo amplo para ser utilizada. Atualmente é difícil visualizar qualquer realização de marketing, produção ou comércio internacional sem a logística (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006). Na área organizacional, dentre as definições de logística disponíveis, Christopher (2007, p. 3) diz que:

Logística é o processo de gerenciamento estratégico da compra, do transporte e da armazenagem de matérias-primas, partes e produtos acabados (além dos fluxos de informações relacionados) por parte da organização e de seus canais de marketing, de tal modo que a lucratividade atual e futura sejam maximizadas mediante a entrega de encomendas com o menor custo associado.

No entanto, esta visão concentra-se nos aspectos operacionais da logística e deixa em segundo plano sua importância mercadológica. Atualmente os clientes estão exigindo maior frequência de entrega, com quantidades reduzidas e maior variedade de produtos (BERTAGLIA, 2005), logo, além de satisfazer critérios de lucratividade e redução de custos, todo o processo de planejamento e execução das atividades logísticas deve ter o cliente como origem e destino (ARBACHE et al, 2007), afinal, nada faz sentido se as expectativas dos clientes não forem correspondidas (BOWERSOX; CLOSS, 2001).


Segundo esta linha de pensamento, a definição da Associação Brasileira de Logística apresenta da seguinte forma o escopo das responsabilidades da logística:

Logística é uma parte da cadeia de abastecimento que planeja, implementa e controla com eficácia o fluxo e a armazenagem dos bens, dos serviços e das informações entre o ponto da origem e o ponto de consumo destes itens, a fim de satisfazer todas as exigências dos consumidores em geral (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LOGÍSTICA, 2009)

Considerando ainda que em quase todos os setores industriais uma ou mais empresas utilizam a logística como uma estratégia básica para conquistar a lealdade dos clientes (BOWERSOX; CLOSS, 2001), e que a logística ocupa posição intermediária entre produção e marketing (GOMES; RIBEIRO, 2004) atualmente as organizações se preocupam em formar cadeias logísticas que proporcionem valor aos clientes aumentando a qualidade e o serviço e reduzindo o tempo e o custo das transações (CHRISTOPHER, 2007).


Para atender seus propósitos, a logística utiliza uma gama de atividades técnicas que serão analisadas na sequência.

2.3 As atividades da logística
Para Martins e Alt (2005), até poucos anos atrás o termo logística continuava associado a transportes, depósitos regionais e atividades ligadas a vendas, mas hoje as empresas brasileiras já se deram conta do imenso potencial implícito nas atividades integradas de um sistema logístico. Assim, a logística passou a abranger uma gama de atividades que envolvem o processamento de pedidos, o inventário, o transporte, o armazenamento, manuseio de materiais e embalagem e a rede de instalação (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006).


O processamento de pedidos, esclarecem Bowersox, Closs e Cooper (2006) envolve a transmissão das exigências dos clientes para uma cadeia de suprimentos, normalmente através de um pedido. Para estes autores, o pedido é uma informação fundamental para a logística, sendo que o equilíbrio dos trabalhos depende do seu fluxo rápido. Na mesma linha, Gomes e Ribeiro (2004) chamam de serviço ao cliente o somatório de todas as atividades necessárias para receber, processar, entregar e faturar os pedidos dos clientes. Ou seja, para realizar as tarefas da logística, utilizam-se informações obtidas através dos pedidos dos clientes, que devem ser precisas, úteis e estar acessíveis no tempo certo (CHOPRA, MEINDL, 2003).

O inventário trata dos estoques, que são materiais e suprimentos que uma organização mantém para vender ou fornecer insumos ou suprimentos para o processo de produção, e que usualmente constituem uma parte substancial dos ativos totais de uma empresa (ARNOLD, 1999). As decisões sobre estoques têm, sob o ponto de vista da logística, alto risco e impacto, e a formulação de políticas de estoques requer o conhecimento do seu papel nas áreas de produção e marketing das empresas (BOWERSOX; CLOSS, 2001), pois o problema dos estoques não é o mesmo para diferentes empresas (BALLOU, 1993). Por isso, as organizações devem definir e manter uma estratégia de estoques que permita balancear os processos de produção e distribuição, além de minimizar os custos de estoques (BERTAGLIA, 2005).

Também explica Bertaglia (2005) que a atividade de transporte gera os fluxos físicos de bens ou serviços ao longo dos canais de distribuição. Para Arbache et al (2007) é a movimentação de produtos que cria para a sociedade valor de lugar, permitindo que os produtores coloquem o produto exatamente onde os consumidores desejam. Estes autores ainda reforçam que o transporte tem um peso enorme no custo de distribuição ou logístico da maioria dos produtos e é muito importante nos resultados obtidos no serviço do cliente. Como atualmente há uma ampla variedade de alternativas de transportes de produtos e as empresas podem optar por contratar um serviço de transporte eventual, ter seu próprio transporte ou fechar vários contratos com diferentes transportadoras especializadas, os embarcadores têm flexibilidade para negociar a responsabilidade por todas as atividades relacionadas aos transportes (BOWERSOX; CLOSS, 2001), aumentando a relevância do papel dos gestores na escolha e administração dos serviços de transportes que as organizações oferecem aos clientes.

Armazenamento, manuseio e embalagem de materiais também fazem parte do escopo da logística, entretanto não possuem o status independente das demais atividades, atendendo de forma complementar suas outras áreas. Quando efetivamente integrado as demais atividades, o armazenamento, manuseio e embalagem facilitam a velocidade e a tranquilidade do fluxo de produtos dentro do sistema de logística (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006). A armazenagem ocorre quando algo é guardado para uso ou transporte futuro (BERTAGLIA, 2005), sendo que a utilização de armazéns permite a compensação dos custos de estocagem com menores custos de transporte, ao mesmo tempo que mantém ou melhoram o nível de serviço (BALLOU, 1993). Já a embalagem possui duas formas, uma mais voltada para o consumidor, chamada de embalagem final, e outra mais voltada a logística, denominada embalagem secundária ou industrial (BOWERSOX CLOSS, 2001). Para Ballou (1993) há três características fundamentais na embalagem, que são a promoção e o uso, a proteção e a eficiência de distribuição. O manuseio pode ser entendido como a movimentação de pequenas quantidades de bens por distâncias relativamente pequenas, usualmente executada depósitos, fábricas e lojas e no transbordo entre modais (BALLOU, 1993).

A rede de instalações na logística visa determinar o número e a localização de todos os tipos necessários de instalações para o desempenho do trabalho logístico (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2006). As principais decisões a respeito desta atividade da logística são: determinar o papel das instalações, sua localização, a alocação de capacidade e a alocação de mercados e suprimentos, sendo que tais decisões afetam umas as outras, determinando o grau de flexibilidade que a cadeia de suprimentos deve ter para adaptar-se às mudanças na demanda (CHOPRA; MEINDL, 2003).

2.4 Comércio atacadista
O atacado inclui todas as atividades envolvidas na venda de produtos e serviços àqueles que compram para revenda ou uso comercial. Alguns fabricantes vendem por meio de atacadistas e não diretamente para os varejistas ou consumidores finais devido à eficiência, pois os atacadistas geralmente lidam melhor com funções como vendas e promoção, compras, quebra de lotes de compra, armazenamento, transporte, financiamento, administração de risco, informações de mercado e serviços de administração e consultoria (KOTLER, 2005). Além disso, os atacadistas também beneficiam os fabricantes ao oferecer acesso a um mercado-alvo – os seus clientes. Um atacadista específico pode ser o único a atingir certos clientes (McCARTHY; PERREAULT, 1997).

Uma classificação de atacadistas de acordo com as funções que desempenham é apresentado por Kotler e Armstrong (2003):
• Atacadistas comerciais: empresas independentes que assumem a posse das mercadorias que manuseia. Dividem-se me atacadistas de serviço completo, que oferecem uma linha completa de serviços como gestão de estoques e manutenção da força de vendas, e atacadistas de serviço limitado, que não oferecem tantos serviços;
• Corretores e agentes: empresa que não assumem a posse de mercadorias, atuando como facilitadores do processo de compra e venda e recebendo uma comissão sobre o preço de venda;
• Filiais e escritórios de vendas dos fabricantes: quando as operações são executadas pelos próprios vendedores e compradores e não por intermédio de atacadistas independentes.

Contribuindo para o entendimento desta classificação, Coronado (2001) lista algumas das funções executadas pelos atacadistas: entrega e movimentação de carga, manutenção de estoques, fracionamento dos lotes, trocas e reembalagens. McCarthy e Perreault (1997) lembram ainda que os serviços prestados pelos atacadistas estão diretamente relacionados às funções de marketing, e eliminá-los (os atacadistas) não acaba com as funções que eles executam.


Apesar disso, os atacadistas têm encontrado dificuldades das mais diversas, exigindo mudanças na sua forma de atuação (LAS CASAS, 2008), sendo que empresas de vanguarda neste segmento sempre buscam melhores métodos para atender as necessidades constantemente em mutação de seus fornecedores e clientes-alvo, reconhecendo que a longo prazo a única razão de sua existência é o valor que agregam por aumentar a eficiência e efetividade totais do canal de marketing (KOTLER; ARMSTRONG, 2003). Uma das formas de fazer isso é fortalecer os acordos e parcerias, estabelecendo fidelidade com serviços logísticos em benefício da satisfação do consumidor final, recebendo o produto com qualidade, preço, e prazo combinado, onde quer que se encontre (CORONADO, 2001).

Contribuições ou indicações de organizações que poderia ser objeto da pesquisa serão aceitas...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vale (?) a pena ver de novo

Nós últimos dias, o noticiário de economia concentra-se totalmente em nóticias ligadas à exploração do petróleo na camada pré-sal. Tema pertinente, sem dúvida, mas o "oba-oba" que está se criando a respeito - como se esta nova fonte fosse uma espécie de bilhete premiado que vai trazer riqueza instantânea ao país -, me fez lembrar o mesmo movimento há mais ou menos dois anos, quando o motivo da euforia era a produção de etanol.

Veja repercursão do pré-sal nos links abaixo:

Folha de São Paulo

IG

Estadão

Hoje, a produção de álcool parece ter sido relegada a um segundo plano, e os grandes negócios anunciados com estardalhaço não se mostram tão promissores assim. Vide a reportagem a seguir

O que deu errado?

Em resumo, a pergunta que fica é: O pré-sal significa mesmo algo tão importante quanto está sendo alardeado, ou é apenas outro surto de interesses políticos e econômicos disfarçados?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia 1º : 15 anos


Para alguns é apenas outro feriado. Para mim, que cresci contando as horas para que cada manhã de domingo logo chegasse, todo dia 1º de Maio trás um sentimento diferente, um misto de alegria, por relembrar toda a emoção que vivi, e de tristeza, pela dura recordação de como a história terminou.
Terminou? Em parte sim. Não houveram momentos iguais àqueles, e apesar de passagens marcantes, como Hockenheim 2000 e Interlagos 2006, uma sensação de vazio persiste.
Qualquer coisa a mais que escreva será redundância diante de tudo que é mostrado, de todas as justas, porém jamais suficientes, homenagens.
Mesmo assim, deixo o meu registro sobre este dia 1º. Há 15 anos eu estava em casa, acompanhando. Hoje estou aqui, escrevendo. O tempo passou, mas as lembranças são eternas.
E apesar de provavelmente alguém já ter observado isso, lembro que tudo terminou no seu dia, o dia do número 1.