O título deste post evidentemente é uma ironia com o famoso slogan da campanha presidencial de Barack Obama.
O motivo é uma notícia sobre a privatização dos aeroportos no Brasil. Quem acompanha o blog sabe que o tema já foi tratado no post Privatizar ou não privatizar (II).
Apesar de defensor das privatizações como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados aos usuários, escrevi, no último parágrafo do comentário anterior citado, o seguinte: "Porém lembro que por enquanto apenas cogita-se a possibilidade de privatizar, ou seja, até que algo prático efetivamente ocorra, um longo tempo irá transcorrer, aliás, bem no ritmo comum às atividades do estado, e na velocidade contrária que os profissinais de logística precisam.". Então, nem tão surpreso assim fiquei quando li a notícia que reproduzirei no final deste post.
Vale destacar que a afirmação do título da matéria é baseada em "pistas" sobre uma tendência de abandonar a ideia da privatização dos aeroportos, como uma leitura atenta mostrará, mas se confirmada a decisão, entendo que surge no horizonte um cenário sombrio para o transporte aéreo do país, com as piores consequências se concretizando durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014, evento que já podemos considerar de médio prazo.
Além, é claro, das implicações para usuários atuais do sistema, que continuarão sofrendo com serviços que, em várias situações, deixam muito a desejar.
E apesar da clara intenção de "abortar" a privatização, fiz uma rápida pesquisa e não encontrei nenhum tipo de material sobre ações para aprimorar significativamente a infra-estrutura aeroportuário nacional enquanto o serviço estiver sob gestão pública (como disse, foi uma rápida pesquisa, me aprofundarei assim que possível, e havendo novidades, comentarei). A única menção é a sugestão de abrir o capital da Infraero, o que resultaria em capital para investimentos, porém a longo prazo. Ou seja, abandona-se uma proposta e não é construída uma alternativa.
Uma enquete realizada no blog também demonstrou que a grande maioria dos leitores é favorável à privatização dos aeroportos, porém, parece que mais uma vez, no Brasil, muito é prometido (a melhoria daa infra-estrutura de trasnportes é elemento essencial para a escolha do país sede da copa do mundo, por exemplo), e pouco de fato é realizado.
E diante disto: alguém ainda acredita na construção do trem expresso entre São Paulo e Rio de Janeiro?
Segue a matéria:
Governo desiste de privatizar aeroportos brasileiros
Também está adiada a discussão sobre a construção do terceiro aeroporto em São Paulo
O governo abandonou a promessa de privatização da Infraero e dos aeroportos brasileiros. Sinas da mudança de rumo foram dados ontem na cerimônia de anúncio de contratação de uma consultoria, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para realizar estudos técnicos para a reestruturação da Infraero - Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária.
A previsão de conclusão dos estudos, que poderia levar à possibilidade de abertura do capital da Infraero, é maio do ano que vem, quando a campanha eleitoral pela sucessão no Planalto estará nas ruas. Com isso, está adiada também a ideia de fazer concessões dos aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Galeão, no Rio de Janeiro, como havia anunciado o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pressionava o governador fluminense, Sérgio Cabral.
Também está fora da discussão, neste momento, a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. Em entrevista, o presidente da Infraero, brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, assegurou que "não haverá privatização" da empresa.
— O que se está pensando é na abertura de capital da empresa — mas ressalvou que "é num futuro, mais a longo prazo".
O brigadeiro Nicácio acentuou ainda que a Infraero tem capacidade de administrar perfeitamente todos os 67 aeroportos, "com a maior competência" porque é hoje "uma das mais eficientes empresas de administração de aeroportos do mundo", conseguindo superação em relação ao Charles de Gaulle, em Paris, entre outros. O brigadeiro disse ainda que "o desejo da empresa é se transformar em companhia de economia mista, dentro dos padrões mais modernos de governança corporativa atualizadas com o mercado, e qual é a capacidade de captação, só o BNDES vai nos dizer lá na frente". Há dois anos a abertura de capital da Infraero vem sendo objeto de discussão.
Paralelamente a isso, entrou na pauta, principalmente por pressão do governador do Rio, Sérgio Cabral, a concessão ou privatização do aeroporto do Galeão. O governo federal, então, incluiu Viracopos, de Campinas, neste projeto. Essa polêmica custou a demissão do ex-presidente da empresa Sérgio Gaudenzi, que alegava que era contra privatizar aeroportos rentáveis.
O novo presidente da Infraero, brigadeiro Nicácio, assumiu o cargo, no entanto, sem polemizar publicamente, mas trabalhando nos bastidores contra a proposta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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sexta-feira, 6 de março de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Novos tempos
Santa Catarina entra hoje, oficialmente, na era dos pedágios.
Até agora não havia a cobrança em nenhuma rodovia do estado, mas com a concessão da BR-116 trecho Rio Grande do Sul- Paraná, a primeira praça começa a funcionar no Km 235, município de Correia Pinto.
O cenário que se apresenta parece irreversível. A concessão pública é a solução encontrada para a manutenção de estradas de qualidade, que permitam um fluxo logístico com segurança e agilidade.
O que se espera é que realmente os serviços prestados pela concessionária sejam adequados, entregando aos usuários um padrão de rodovias que justifique a cobrança do pedágio.
Até agora não havia a cobrança em nenhuma rodovia do estado, mas com a concessão da BR-116 trecho Rio Grande do Sul- Paraná, a primeira praça começa a funcionar no Km 235, município de Correia Pinto.
O cenário que se apresenta parece irreversível. A concessão pública é a solução encontrada para a manutenção de estradas de qualidade, que permitam um fluxo logístico com segurança e agilidade.
O que se espera é que realmente os serviços prestados pela concessionária sejam adequados, entregando aos usuários um padrão de rodovias que justifique a cobrança do pedágio.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Privatizar ou não privatizar?(II)

Já escrevi aqui sobre a privatização de rodovias. Particularmente sou favorável a este modelo, pois acredito que a iniciativa privada pode gerir de forma mais eficaz a maior parte das atividades hoje desempenhadas pela união.
Surge agora outra discussão sobre o tema, relacionada a aeroportos (leia aqui). O que chama a atenção é a presença de Viracopos, aeroporto de Campinas, na lista dos "candidatos" à privatização.
Este aeroporto é um dos principais do Brasil na movimentação de cargas aéreas e portanto possui importância estratégica no desenvolvimento de atividades logísticas que exijam velocidade como atributo principal.
Logo, qualquer mudança no seu modelo de negócios significa necessidade de adaptação e novas exigências às empresas que utilizam seus serviços.
Em um primeiro momento, a privatização pode trazer incertezas, mas acredito que se concretizada será benéfica, pois apesar de possuírmos bons exemplos de atividades estatizadas que funcionam (o porto de Itajaí, aqui em SC é um bom exemplo disso), penso que a inicitiava privada tem maiores condições de aplicar mudanças no ritmo que o crescimento econômico exige, o que por sí só torna-se um benefício estratégico para quem depende dos serviços e precisa que eles aconteçam sem percalços.
Porém lembro que por enquanto apenas cogita-se a possibilidade de privatizar, ou seja, até que algo prático efetivamente ocorra, um longo tempo irá transcorrer, aliás, bem no ritmo comum às atividades do estado, e na velocidade contrária que os profissinais de logística precisam.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Privatizar ou não privatizar? Eis a questão

Em um post anterior, já comentei rapidamente sobre a concessão à iniciativa privada de alguns trechos de rodovias federais que ocorreu no final do ano passado.
Desde o leilão, o tema continua dominando boa parte do noticiário especializado, sobretudo devido às diferenças no modelo adotado pelo governo atual em comparação aos mecanismos utilizados anteriormente. Isto dá margem para uma nova abordagem ao tema.
Entendo que houveram dois avanços importantíssimos que precisam ser destacados:
O primeiro é o novo modelo adotado, que prioriza o menor preço ao usuário final do sistema. Trata-se de uma medida inteligente e que pode servir como um novo "marco" para futuras concessões.
Mas é importante observar com atenção os movimentos decorrentes desse processo, pois além das discussões já surgidas sobre a viabilidade ou não da realização de serviços de qualidade, devido ao baixo preço do pedágio proposto para alguns trechos, precisamos lembrar que os bastidores governamentais em nosso país tem diversos meandros que não são conhecidos do grande público, onde ações políticas muitas vezes se sobrepõem às iniciativas administrativas. Assim, fica a incerteza quanto a futuras "retificações" ou "revisões" de contrato, que de algum forma modifiquem os valores leiloados. Se ocorrerem, veremos como a justiça, o ministério público e a sociedade reagirão.
O segundo ponto, que considero o mais relevante para os profissionais de logística, é a concessão em si, pois durante 5 anos o governo federal sempre demonstrou uma espécie de má vontade em relação à privatização de serviços públicos.
Sabemos da escassez de recursos disponíveis para investimentos em infra-estrutura no Brasil. Sem o apoio da iniciativa privada (que aliás é ávida por estes serviços), dificilmente haverá condições do país consolidar taxas de crescimento que o mantenha entre as principais economias do mundo.
Além disso, o desenvolvimento previsto a partir das concessões abre um grande campo de trabalho para profissionais especializados em logística, pois seus conhecimentos técnicos e visão sistêmica serão indispensáveis para o planejamento e execução das obras previstas.
Estamos diante de um momento decisivo, a janela de oportunidade foi aberta. O desejo que fica é que esta concessão não tenha ocorrido como uma experiência isolada e que não terá continuidade, mas que represente uma nova fase na política de desenvolvimento em nosso país.
A sociedade, as empresas, e os profissionais de logística desde já agradecem!
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