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sábado, 14 de novembro de 2009

Os aeroportos e a Copa

A notícia abaixo apresenta o óbvio. Mas a grande pergunta que fica é: O que já está sendo feito?

Planejamento é a base da boa administração...

Aeroportos são principal preocupação para Copa de 2014--Teixeira

A infraestrutura aeroportuária do país é no momento a grande preocupação dos organizadores da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, afirmou nesta quinta-feira o presidente da CBF e do comitê de organização do Mundial, Ricardo Teixeira.

Em evento com a presença de autoridades federais no Rio de Janeiro por ocasião da abertura do 3o Seminário das Cidades-Sedes da Copa do Mundo, o dirigente cobrou investimentos do governo no setor para que não haja durante a Copa uma repetição de recentes problemas aéreos enfrentados no país.

"Nós temos três prioridades para a Copa: aeroporto, aeroporto e aeroporto", disse Teixeira durante o evento. "Volta e meia tem crise nos aeroportos, e essa é uma das grandes preocupações nossas."

O dirigente lembrou que o Brasil é um país de dimensões continentais e precisa de uma infraestrutura aérea de boa qualidade para realizar com sucesso o segundo Mundial de sua história, após a distante Copa do Mundo de 1950.

"Diferentemente de outras Copas, o deslocamento entre as cidades aqui vai ser via aeroportos, através de avião", disse Teixeira, que cobrou uma solução do governo.

"Tem que ser consertado e resolvido. Há relatórios sobre as diversas cidades que serão sede, que mostram com clareza o problema."

Autoridades federais já alertaram mais de uma vez para o estrangulamento dos aeroportos de São Paulo (Guarulhos e Congonhas) e estudam a construção um novo aeroporto no Estado ou a otimização de Viracopos, em Campinas.

O governo federal estuda ainda a privatização do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, mas disputas locais emperram o processo de concessão do aeroporto.

Ao contrário da preocupação com os aeroportos, o presidente da CBF acredita que a construção de estádios e a criação de uma infraestrutura hoteleira não serão problemas para o Mundial.

"Acho os temas mais factíveis, até porque você tem opções como utilizar navios, motéis e outros como hospedagem", avaliou.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Logistica e distribuição como diferenciais

Eu sei que o conteúdo deste post vai soar (e não nego que realmente seja um pouco) "tendencioso", dada a minha inegável condição de torcedor fanático. Mas a verdade é que desde Julho estou acompanhado de perto a evolução da parceria Flamengo - Olympykus, e a publicação da entrevista abaixo no site do clube mostra que o sucesso comercial (venda de camisas) tem muito a ver com estratégia de distribuição, e consequentemente de logística, que foi adotada.

Como os leitores do blog devem ter estudado, distribuição é uma função de marketing (ou o terceiro "P" - Praça [place em Inglês]) que trata, entre outras coisas, da decisão de quais canais utilizar para fazer chegar os produtos aos clientes. No caso da matéria que estou reproduzindo abaixo, fica claro que a disponibilização dos produtos em vários pontos foi fundamental para os resultados já obtidos.

Mas se o marketing estabelece os canais, deslocar e disponibilizar os produtos fisicamente é responsabilidade da logística. Sem uma estrutura de expedição e transporte capaz de atender as demandas da estratégia comercial, nada do que é apresentado seria possível. Por isso, mesmo sem referências diretas, acredito ter subsídios para elogiar a operação logística da Vulcabrás.

Ao mesmo tempo, fica o comentário de que a expansão dos pontos de vendas dependerá muito da capacidade de atender logisticamente os atuais e potenciais novos mercados.

Tullio Formicola Filho: 'Temos muito orgulho de estar junto com o Flamengo'
Leia entrevista exclusiva com o diretor de marketing esportivo do Grupo Vulcabras/azaleia

Com o contrato de fornecimento de material esportivo, a marca Olympikus gerou 1.200 empregos, graças à expressão da marca Flamengo. A informação é de Tullio Formicola Filho, diretor de Marketing Esportivo do Grupo Vulcabras/azaleia. Em entrevista exclusiva ao site oficial do Flamengo, Formicola Filho explica os motivos que levaram a empresa a anunciar esta semana um número recorde de vendas, acima do patamar de 800.000 peças.

Tullio Formicola Filho está no Grupo Vulcabras/azaleia desde 1998. Formado em Publicidade e Propaganda, com pós-graduação em Marketing, já atuou em redes de varejo e grandes marcas esportivas no Brasil e América Latina.

Confira a entrevista, concedida por e-mail.

Site oficial do Flamengo – Em quatro meses, a Olympikus já bateu o recorde de vendagem de camisas, com mais de 800 mil peças em 120 dias. Quais são os motivos desse volume de vendas?
Tullio Formicola Filho – O motivo é o mais simples possível: muito trabalho e dedicação. Usando a nossa rede de vendas que atinge o Brasil todo, com mais de 15.000 pontos de venda. Está mais fácil para o torcedor encontrar o produto pela capilaridade dos nossos pontos de venda.

Site oficial do Flamengo – As vendas superam as expectativas e projeções iniciais da empresa?
Tullio Formicola Filho – Superaram sim, tínhamos imaginado e planejado vender próximo a 650.000 peças em seis meses. Mas o importante disto é a nossa rápida resposta em termos de produção, quando ultrapassamos esta quantidade.

Site oficial do Flamengo – O expressivo número de camisas vendidas, acima de 800.000, gerou por parte de torcedores de outros grandes clubes a justificativa de que teria relação com o fato da camisa do Flamengo ser supostamente mais barata. Qual seu comentário sobre o assunto?
Tullio Formicola Filho – Isso não existe. O preço da camisa do Flamengo é R$ 10,00 menor que o de alguns outros clubes. O recorde, como disse, deve-se à capacidade de distribuição da Vulcabras e à força da torcida do Flamengo. E o varejo nem está conseguindo formar estoque. O produto que está saindo da fábrica está chegando às mãos do consumidor em pouco tempo. Esta diferença de valor de forma nenhuma pode ser tratada como um diferencial para a obtenção deste volume de vendas. Se ela custasse R$ 10,00 a mais, o volume seria o mesmo.

Site oficial do Flamengo – A Olympikus lançou peças para crianças, mulheres e de tamanhos maiores, para quem tem mais peso. Como vem sendo a procura por esse tipo de material? Que critérios nortearam o desenvolvimento da linha casual? E como vem sendo a receptividade do público?
Tullio Formicola Filho – No total das peças vendidas, estas têm uma importância grande, não em termos de volume, pois a torcida ainda não está acostumada a este tipo de produto, pois ficou muitos anos apenas comprando camisas oficiais, mas é muito importante para começar a mostrar que o Flamengo é muito maior que apenas as camisas 1 e 2. A receptividade está sendo muito boa, guardado o perfil que acabei de mencionar.

Site oficial do Flamengo – Hoje, qual é a estrutura industrial que ajuda a dar conta da demanda por material esportivo do Flamengo?
Tullio Formicola Filho – A nossa estrutura industrial é muito grande, contando com mais de 35.000 colaboradores nas nossas fábricas. Na fabrica de confecções, temos hoje mais de 5.000 pessoas, sendo que 1.200 empregos foram gerados pelo Flamengo.

Site oficial do Flamengo – Qual o conceito que inspirou o desenvolvimento da nova loja Olympikus, que será aberta este mês na Gávea?
Tullio Formicola Filho – O conceito da tecnologia com a história do clube. Integração com a natureza também foi um ponto importante no projeto, principalmente pelo local onde a loja está e a vista da Lagoa que ela proporciona.

Site oficial do Flamengo – A empresa mantém um funcionário na Gávea para atendimento diário ao clube. De que modo esse investimento vem sendo importante para reforçar o relacionamento entre clube e empresa?
Tullio Formicola Filho – Este é um padrão Vulcabras de atendimento. Este profissional tem a autonomia necessária para resolver qualquer imprevisto que possa aparecer. É um ponto muito importante, pois ele passa a ser o ponto de contato entre a empresa e o clube, diariamente, 24 horas, a semana inteira.

Site oficial do Flamengo – A Olympikus contribuiu na viabilização para a volta de Adriano ao Flamengo. Qual o balanço do investimento?
Tullio Formicola Filho – No momento da tomada desta decisão, não olhamos o retorno financeiro da mesma. E sim a importância do Adriano no plano do Flamengo, plano este que está sendo realizado com o desempenho do clube no campeonato. E, como conseqüência, nas vendas aquecidas dos produtos.

Site oficial do Flamengo – Os torcedores cobram peças com os números e nomes de alguns jogadores já aplicados nas costas? O que é possível atender nesse tipo de demanda?
Tullio Formicola Filho – Vendemos para as lojas camisas sem número. Autorizamos estas lojas a comprarem dos nossos fornecedores os números e as letras, e as lojas colocam o que os torcedores querem.

Site oficial do Flamengo – De que modo a empresa vem trabalhando para combater a pirataria?
Tullio Formicola Filho – Com apreensões nos jogos. E investigações para encontrar as fábricas piratas.

Site oficial do Flamengo – Logo no desfile de lançamento, a Olympikus apresentou um filme, veiculado na TV brasileira em horário nobre, que explorava o slogan "Olympikus - Orgulho de Ser Rubro-Negra". De que modo a empresa planeja explorar essa identidade com a marca Flamengo ao longo do contrato?
Tullio Formicola Filho – Este slogan retrata a realidade dos fatos. Temos muito orgulho de estar junto com o Flamengo, temos muito orgulho de poder servir ao Flamengo. Da forma que o Flamengo merece. Isto, nós temos mostrado no nosso dia-a-dia, mas não é um slogan de campanha, e sim a transformação em palavras de um sentimento da empresa. Podemos, sim, fazer mais uma campanha de mídia eletrônica. Porém, ainda não definimos como, quando e onde.

Site oficial do Flamengo – Quando a empresa planeja lançar a nova linha de uniformes oficiais?
Tullio Formicola Filho – Segundo o calendário oficial do Brasil, em janeiro de 2010.

Leia mais:
Flamengo lança contador de vendagem das camisas
Flamengo e Olympikus vendem mais de 807 mil camisas em quatro meses

sexta-feira, 16 de outubro de 2009


Aproveitando a semana do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, deixo aqui um link para excelente matéria da revista Época Negócios sobre a operação logística deste momumental evento esportivo.
Esta reportagem apresenta também outro assunto relevante: a importância das mulheres na logística, pois através de sua percepção apurada e atenção aos detalhes, elas conseguem sobressair-se no que diz respeito ao planejamento e execução de operações logísticas.
Tal constatação já aparecia em 2005 em outro texto relacionado ao memo tema. Naquela oportunidade, o jornalista Lemyr Martins publicou na sua coluna da edição de fevereiro da Revista 4 Rodas, um artigo denominado "O Circo Voador", onde explicava a preparação das equipes de Fórmula 1 para o campeonato daquele ano, e como a logística era essencial para a realização de uma competição que viaja por 4 continentes e realiza quase vinte provas em pouco mais de 7 meses.
Infelizmente, não encotrei um link para este último texto, mas de qualquer forma acredito que a matéria que citei no início deste post pode acrescentar muito ao entendimento da logística, em especial em eventos esportivos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

É hora de arregaçar as mangas...


... pois com o anúncio do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 haverá muito trabalho para os profissionais incumbidos do planejamento de suprimentos da competição. E como em 2014 ainda teremos a Copa do Mundo, a logística esportiva será uma das carreiras mais promissoras do mercado.
É hora de aproveitar, afinal, por dois anos o Brasil será o centro do mundo, e a logística será peça chave para o funcionamento da engrenagem que moverá o país.
Leia aqui o já se falou no blog sobre logística esportiva.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Rio 2016


Como os leitores do blog sabem, a logística envolvendo esportes e/ou eventos é um dos meus temas favoritos (outros post a respeito aqui). Por isso me chamou a atenção uma entrevista sobre a candidatura do Rio de Janeiro a cidade sede dos jogos olímpicos de 2016.
O conteúdo desta entrevista trata da preocupação com o controle dos recursos gastos em um evento como as Olimpíadas. O entrevistado argumenta que nos gastos para a realização dos jogos Panamericanos em 2007 os recursos foram muito altos e o retorno social insignificante. Neste contexto, sugere a participação da sociedade civil no acompanhamento dos investimentos na infra-estrutura do Rio de Janeiro para a adequação da cidade ao evento (caso se confirme no Brasil).
Destaco estes pontos porque sem dúvida o transporte urbano (citado na matéria, inclusive) deve ser um dos pontos centrais deste investimento. Um trabalho bem feito poderia significar a construção de um modelo básico para que outras cidades do país promovessem melhorias semelhantes.
Entretanto, analisando o conteúdo da entrevista, parece que no momento temos mais preocupações em como o dinheiro será gasto do que motivos para torcer pela vitória da "cidade maravilhosa" na disputa.
O link para a matéria é este.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Infraestrutura logística do futuro

A última enquete perguntou: Como estará a infraestrutura logística do Brasil daqui há 5 anos.

A resposta da maioria dos leitores do blog sugere um otimismo frente a situação, já que 53% indicaram que será melhor que a atual, enquanto 40 % acreditam na manutenção do estágio atual e apenas 7% esperam que possa piorar.

Devemos lembrar que em função da Copa do Mundo de 2014, esperam-se iniciativas que melhorem sobretudo as condições de mobilidade pessoal hoje existentes.

A construção de um trem expresso entre São Paulo e Rio, a ampliação de aeroportos e reformas em rodovias importantes são algumas das medidas necessárias para dotar o Brasil de condições logísticas que permitam a realização de um dos mais importantes eventos esportivos do planeta.

Se realizadas, estas ações beneficiarão, direta e indiretamente, a movimentação de cargas, seja por oferecer novas opções ou por desafogar a estrutura hoje existente. Neste sentido, é perceptível que estamos diante de uma grande oportunidade para sanar alguns problemas que impedem o desenvolvimento de serviços logísticos mais eficientes no Brasil. Aproveitar esta chance é que é a questão central, mas isto depende de planejamento, organização e interesse político...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Brasil e Portugal - muito além das caravelas

As competições esportivas proporcionam um campo de trabalho extremamente promissor para quem se interessa pela logística.

A notícia a seguir, extraída de um site de Portugal, dá uma idéia da dimensão desta afirmação:

Brasil-Portugal: quatro aviões fretados, 700 mil euros de logística

Para a organização do jogo particular entre o Brasil e Portugal, marcado para 19 de Novembro, foi preciso investir 700 mil euros em logística. A verba, a cargo dos promotores da partida, inclui os gastos com os quatro aviões que foram fretados e as reservas em quatro hotéis.


Os jogadores portugueses viajam para Brasília, palco do jogo, na próxima segunda-feira, num dos quatro A340 da TAP. A escolha do modelo fica a dever-se aos 36 lugares de classe executiva, que rebatem 180 graus, algo que é considerado fundamental para o repouso dos jogadores, já que a viagem dura cerca de nove horas.

Os jogadores lusos terão a companhia de alguns internacionais brasileiros. «Em princípio, dos 23 convocados por Dunga, 18 actuam na Europa e grande parte deles viaja com Portugal», explicou Miguel Macedo, agente FIFA promotor do encontro, à Agência Lusa. Kaká, Alexandre Pato e Maicon, por exemplo, devem chegar a Lisboa por volta das 14h, e depois esperam na sala VIP do aeroporto até à hora do voo para Brasília.

Depois, já na capital brasileira, há que ter em conta a utilização de quatro hotéis. A selecção portuguesa vai ficar no Kubitschek Plaza, de cinco estrelas. Depois está reservada uma outra unidade hoteleira para a selecção da casa, outra para a equipa de arbitragem, liderada pelo uruguaio Jorge Larrionda, e ainda outra para os convidados.

Após o jogo, que segundo o promotor está definitivamente marcado para as 22h locais (meia-noite em Lisboa, já no dia 20), vão ser utilizados mais três aviões. Primeiro os jogadores seguem para Lisboa (chegada ao meio-dia de dia 20), e depois há duas rotas já reservadas: uma ligação a Milão e outra que segue para Londres e Manchester, as cidades dos clubes que mais jogadores cedem.

Planejar e executar toda esta operação requer pessoas capacitadas, que possam antever todas as necessidades das equipes e dispor os recursos necessários no tempo certo.

Como exemplo, basta lembrar que o texto concentrou-se apenas no transporte internacional e na hospedagem, mas que para realizar uma partida como esta é necessário ainda providenciar translados aerorporto-hotel-estádio-hotel-aeroporto para todos os envolvidos, disponibilizar lugares para os convidados e organizar todo o material esportivo que será utilizado pelos atletas, comissões técnias e equipe de arbitragem.

Alguém se habilita?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A logística do Ouro (e de outros metais também)


Escrevi há algum tempo aqui sobre os desafios logísticos que o Brasil enfrentará para organizar a Copa do Mundo de 2014. Como estamos em clima olímpico, o tema volta a ser relevante, pois devido a magnitude das Olimpíadas o planejamento logístico torna-se extremamente complexo.
As principais diferenças entre os dois eventos são o número de envolvidos (muito maior no caso dos jogos multi-esportivos), e o fato da competição de futebol ser disputada em várias sedes distribuídas em um país, enquanto que a Olimpíada acontece quase totalmente em uma cidade.
No caso de Beijing 2008 é possível listar alguns desafios logísticos enfrentados pela organização:
  • Alojamento, transporte e alimentação dos atletas;
  • Disponibilização de locais para treino dos atletas/equipes e para realização das competições;
  • Organização de arbitragem;
  • Operacionalização do pessoal de apoio (bilheteria, segurança, limpeza, alimentação...);
  • Oferecimento de auxílio em várias línguas diferentes; e
  • Fornecimento de suporte para atuação da imprensa.
Lembre-se ainda que estamos falando de um evento de 16 dias, mas que envolve:
  • 10.078 atletas;
  • 31 modalidades esportivas;
  • 21.600 jornalistas, de mais de 200 países;
  • 80 chefes de estado na cerimônia de abertura; 3
  • 400.000 voluntários.
São fatos e números que impressionam, sem dúvida, mas ainda estamos falando só sobre as competições. Não podemos esquecer que o grande fluxo de turistas (previsão de 500 mil) exige esforço redobrado em várias "frentes" citadas para atender todo esse contingente de pessoas, com certeza bastante superior a média recebida pela cidade em períodos normais.
Finalmente, em Setembro ainda acontecerão os jogos paraolímpicos, que se não tem tanto destaque na mídia, exigem planejamento prévio para a adequação da maior parte dos recursos citados para atender a este público, que possui exigências diferenciadas, e possivelmente ainda mais desafiadoras.
Após analisar tantos itens, acredito ser possível oferecer uma medalha de ouro (simbólica, evidentemente) para os organizadores deste incrível evento.
Eu - como fã de esportes e estudioso da logística esportiva - não vou perder!
Obs: os números citados foram obtidos no site da embaixada da China no Brasil.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A logística do gol




Costumo utilizar com meus alunos um artigo originalmente publicado na revista Quatro Rodas denominado "O Circo Voador", que trata da complexa operação logística da Fórmula 1 para deslocar toda a sua estrutura de uma país a outro - muitas vezes intercontinentalmente - com grande eficiência.

O conteúdo é bastante pertinente e permite mostrar a logística de uma forma diferente da tradicional. Me lembrei dele agora que acabou de ser confirmada a indicação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, pois certamente este mega evento também terá a logística como um de seus elementos essenciais para que tudo transcorra da melhor forma possível (dizer que "argentino nenhum poderá botar defeito" foi uma gafe tremenda, Sr. presidente).

Provavelmente a Copa do Mundo será tema de outros comentários futuros aqui neste espaço, mas de imediato vou resumir alguns elementos que considero essenciais à logística da competição:

INFRA ESTRUTURA PORTUÁRIA
Será importante porque os altos custos e as limitações de carga do transporte aéreo poderão incentivar alguns dos países participantes a enviar por via marítima equipamentos de treinos, uniformes e outros. Neste caso pelo o menos dois ou três portos nacionais deveriam estar preparados para agilizar o fluxo e o desembaraço aduaneiro destes materiais, de forma que não comprometa o planejamento dos participantes que optarem por este tipo de transporte. Estes portos também deverão estar ligados à malha viária e aeroviária, tanto para o fluxo de pessoas como para o de produtos.

Além disso, um grande fluxo de cruzeiros marítimos deverá ter como destino o Brasil durante a Copa do Mundo, pois a maioria das cidades candidatas é litorânea ou está próxima de um porto. Um pier para os navios e um processo alfandegário rápido tornam-se importantes para agilizar o embarque/desembarque dos visitantes, que certamente estarão havidos por conhecer as belezas do Brasil e gastar (muito) em dólares, euros e yuans.

INFRA ESTRUTURA AERO PORTUÁRIA
Os aeroportos precisarão ser ampliados para comportar o grande volume de pessoas que irão utilizá-los no curto período de um mês. Serão necessários grandes centros de informações com suporte a diversas línguas estrangeiras, além de lojas de conveniências, restaurantes, aluguel de veículos, estacionamentos, táxis e interligação inteligente com o transporte urbano (trem, metrô ônibus).

A internacionalização do maior número possível de aeroportos também permitiria desafogar o tráfego aéreo no eixo Rio-São Paulo, facilitando tecnicamente a chegada das delegações, jornalistas, turistas, dirigentes e árbitros ao seu destino final, pois serão entre 10 a 12 sedes que provavelmente estarão geograficamente distantes neste país de dimensões continentais. Um grande número de escalas e conexões com certeza não agradaria nem um pouco estas pessoas.

Ainda lembro que dentro do próprio país as equipes costumam se deslocar para jogos em cidades diferentes de sua sede. As grandes distâncias que temos sugerem que isto deve, na maioria dos casos, inviabilizar qualquer outro tipo de transporte que não seja o aéreo, então construir uma rede de vôos sem escalas entre as cidades que abrigam jogos será ponto chave na organização do evento.

TRANSPORTE RODOVIÁRIO
As distâncias entre algumas sedes no Nordeste e Sudeste podem viabilizar o deslocamento rodoviário, não das equipes, provavelmente, mas de jornalistas e visitantes que estiverem no país. Um sistema de transporte coletivo organizado, com pessoal qualificado e linhas diretas pode contribuir para a sua utilização.

As rodovias necessitarão de melhorias estruturais (o processo de concessão recém concluído pode contribuir para que isto esteja pronto a tempo) e de pontos de apoio e informação aos viajantes que necessitarão de pessoas/sistemas aptos a se comunicar em diversas línguas diferentes.

Ainda será necessária ligação dos portos que receberem cruzeiros (ver item infra estrutura portuária) com cidades não litorâneas. São Paulo e Curitiba são bons exemplos desta necessidade.

Uma alternativa interessante, mas que creio infelizmente não será implementada, seria desenvolver uma ligação ferroviária interestadual através de trens rápidos.

Há um projeto para realizar isso entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, mas o ideal seria que a Copa do Mundo determinasse um horizonte mais amplo para este modal, fazendo, por exemplo uma ligação entre Curitiba-São Paulo-Rio de Janeiro-Belo Horizonte. Seria um legado precioso que a competição deixaria ao Brasil. Seria...

ORGANIZAÇÃO URBANA
Hotéis, restaurantes, estádios, hospitais, shoppings e pontos turísticos diversos terão grande movimento durante uma copa do mundo. Sistemas de transporte urbano que façam uma ligação rápida e direta entre estes pontos serão essenciais no decorrer da competição para não causar transtornos aos visitantes.

Identificar de forma clara estas rotas através de placas trilingües pode facilitar também o fluxo das pessoas aos seus destinos, diminuindo congestionamentos e a necessidade de serviços de apoio. Aliás, a identificação clara será necessária em todas as cidades envolvidas.

Segurança pública, rede hoteleira qualificada, centros de imprensa, infra estrutura de comunicações e estacionamentos são exemplos de outras preocupações que a Copa do Mundo trará ao Brasil. Em momento oportuno, continuo a discussão sobre estes tópicos.

Talvez meu parágrafo final pareça cético, mas dado o histórico brasileiro de promessas não cumpridas, por enquanto o importante é acreditar e fazer o que estiver ao nosso alcance para que pelo o menos algumas das melhorias estruturais necessárias sejam de fato executadas, pois elas são essenciais ao Brasil, mesmo que não tivéssemos a perspectiva de uma copa do mundo daqui a sete anos.