sexta-feira, 6 de março de 2009

Yes, we are Brazil

O título deste post evidentemente é uma ironia com o famoso slogan da campanha presidencial de Barack Obama.

O motivo é uma notícia sobre a privatização dos aeroportos no Brasil. Quem acompanha o blog sabe que o tema já foi tratado no post Privatizar ou não privatizar (II).

Apesar de defensor das privatizações como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados aos usuários, escrevi, no último parágrafo do comentário anterior citado, o seguinte: "Porém lembro que por enquanto apenas cogita-se a possibilidade de privatizar, ou seja, até que algo prático efetivamente ocorra, um longo tempo irá transcorrer, aliás, bem no ritmo comum às atividades do estado, e na velocidade contrária que os profissinais de logística precisam.". Então, nem tão surpreso assim fiquei quando li a notícia que reproduzirei no final deste post.

Vale destacar que a afirmação do título da matéria é baseada em "pistas" sobre uma tendência de abandonar a ideia da privatização dos aeroportos, como uma leitura atenta mostrará, mas se confirmada a decisão, entendo que surge no horizonte um cenário sombrio para o transporte aéreo do país, com as piores consequências se concretizando durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014, evento que já podemos considerar de médio prazo.

Além, é claro, das implicações para usuários atuais do sistema, que continuarão sofrendo com serviços que, em várias situações, deixam muito a desejar.

E apesar da clara intenção de "abortar" a privatização, fiz uma rápida pesquisa e não encontrei nenhum tipo de material sobre ações para aprimorar significativamente a infra-estrutura aeroportuário nacional enquanto o serviço estiver sob gestão pública (como disse, foi uma rápida pesquisa, me aprofundarei assim que possível, e havendo novidades, comentarei). A única menção é a sugestão de abrir o capital da Infraero, o que resultaria em capital para investimentos, porém a longo prazo. Ou seja, abandona-se uma proposta e não é construída uma alternativa.

Uma enquete realizada no blog também demonstrou que a grande maioria dos leitores é favorável à privatização dos aeroportos, porém, parece que mais uma vez, no Brasil, muito é prometido (a melhoria daa infra-estrutura de trasnportes é elemento essencial para a escolha do país sede da copa do mundo, por exemplo), e pouco de fato é realizado.

E diante disto: alguém ainda acredita na construção do trem expresso entre São Paulo e Rio de Janeiro?

Segue a matéria:

Governo desiste de privatizar aeroportos brasileiros
Também está adiada a discussão sobre a construção do terceiro aeroporto em São Paulo

O governo abandonou a promessa de privatização da Infraero e dos aeroportos brasileiros. Sinas da mudança de rumo foram dados ontem na cerimônia de anúncio de contratação de uma consultoria, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para realizar estudos técnicos para a reestruturação da Infraero - Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária.

A previsão de conclusão dos estudos, que poderia levar à possibilidade de abertura do capital da Infraero, é maio do ano que vem, quando a campanha eleitoral pela sucessão no Planalto estará nas ruas. Com isso, está adiada também a ideia de fazer concessões dos aeroportos de Viracopos, em Campinas, e Galeão, no Rio de Janeiro, como havia anunciado o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pressionava o governador fluminense, Sérgio Cabral.

Também está fora da discussão, neste momento, a construção do terceiro aeroporto em São Paulo. Em entrevista, o presidente da Infraero, brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, assegurou que "não haverá privatização" da empresa.

— O que se está pensando é na abertura de capital da empresa — mas ressalvou que "é num futuro, mais a longo prazo".

O brigadeiro Nicácio acentuou ainda que a Infraero tem capacidade de administrar perfeitamente todos os 67 aeroportos, "com a maior competência" porque é hoje "uma das mais eficientes empresas de administração de aeroportos do mundo", conseguindo superação em relação ao Charles de Gaulle, em Paris, entre outros. O brigadeiro disse ainda que "o desejo da empresa é se transformar em companhia de economia mista, dentro dos padrões mais modernos de governança corporativa atualizadas com o mercado, e qual é a capacidade de captação, só o BNDES vai nos dizer lá na frente". Há dois anos a abertura de capital da Infraero vem sendo objeto de discussão.

Paralelamente a isso, entrou na pauta, principalmente por pressão do governador do Rio, Sérgio Cabral, a concessão ou privatização do aeroporto do Galeão. O governo federal, então, incluiu Viracopos, de Campinas, neste projeto. Essa polêmica custou a demissão do ex-presidente da empresa Sérgio Gaudenzi, que alegava que era contra privatizar aeroportos rentáveis.

O novo presidente da Infraero, brigadeiro Nicácio, assumiu o cargo, no entanto, sem polemizar publicamente, mas trabalhando nos bastidores contra a proposta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Livro do mês [8]


Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento, de Paulo Roberto Bertaglia, destaca-se por apresentar uma visão atualizada e completa sobre os elementos da cadeia de abastecimento. A visão do autor é extremamente detalhada, e ao tratar das mudanças nas operações logísticas decorrentes da ascensão das TIC's (Tecnologias da Informação e Comunicação) no ambiente de negócios, ele contribui para a formação do pensamento na área, uma vez que ainda é pequena literatura disponível sobre o tema.
O capítulo sobre comércio eletrônico também merece destaque, pois este novo canal de distribuição, ao apresentar inúmeras oportunidades e desafios, exige por parte dos profissionais de logística uma visão diferenciada sobre as suas atribuições e um novo tipo de conhecimento para manter-se integrado à sociedade da informação.
Aos que buscarem conhecimento nesta obra, vale o registro que não se trata de mais um "manual" sobre como desempenhar funções, mas sim um esforço de visão estratégica que demonstra o que muda no ambiente de negócios com a difusão de cadeias de abastecimento integradas, e como inserir-se e manter-se atuante neste contexto.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Videologística [1]

Apesar do acúmulo de trabalhos do mestrado (só neste carnaval terminei o fichamento de dois livros e um trabalho de estatística...), inicio aqui uma nova série de postagens no blog.

A "vídeologística" vai apresentar, em conteúdo multimídia, assuntos relevantes sobre logística, visando ampliar a compreensão sobre o tema.

O primeiro vídeo atende a um objetivo já mencionado aqui, que é direcionar ao menos uma parte dos conteúdos no caminho de uma visão "pedagógica" ou "acadêmica" da logística. Esclarecendo dúvidas sobre o tema e fazendo-o área de interesse por estudantes e profissionais em geral.

Neste mesmo sentido, um dos primeiros textos que publiquei aqui, O Profissional de Logística, é até hoje o mais comentado do blog, principalmente em vários e-mails que recebo pedindo informações adicionais sobre o tema.

Por tudo isso, o primeiro conteúdo desta nova série é um pequeno vídeo do youtube (2 minutos) que retrata, de forma sucinta, porém objetiva e de fácil entendimento, o que é ser um profissional de logística.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mudanças no transporte coletivo em SC

Reproduzo, a seguir, matéria disponível no site do Jornal Diário Catarinense. Meus comentários estão após o texto.

Empresas de transporte de Santa Catarina passarão por sistema de concorrência
Agência que regulamenta setor entende que as atuais concessões estão vencidas

O transporte interestadual de passageiros em Santa Catarina poderá sofrer mudanças a partir do ano que vem. As 141 ligações que partem do Estado para outras regiões do país farão parte de uma concorrência pública nacional de concessão prevista para ser aberta em junho. É a primeira vez que o governo federal fará esse tipo de contratação por disputa. O valor da tarifa será a principal regra.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) entende que as atuais concessões para o transporte estão vencidas. As empresas que já operam deverão candidatar-se à continuidade do serviço. A intenção do governo é qualificar a área e intensificar o controle do sistema. A redução no valor da passagem está entre as expectativas, o que já provoca reações das empresas. Mas também serão levados em conta a frota de veículos, capacitação de motoristas e satisfação de usuários.

As 141 ligações de Santa Catarina que serão ofertadas têm mais de 75 quilômetros de distância entre as cidades. Há expectativa de que as novas concessões reduzam os acidentes. Santa Catarina liderou pesquisa nacional do Ministério da Saúde como o Estado com maior número de mortes no trânsito.

— A melhoria pode acontecer também com o controle maior que teremos sobre a frota de ônibus, que não deve ter mais de 10 anos, e a fiscalização sobre os ônibus piratas (clandestinos), de fretamento e turismo que estão irregulares — disse nesta sexta-feira em Florianópolis a superintendente de serviços de transporte de passageiros da ANTT, Sonia Haddad.

Deter prepara estudo em parceria com UFSC

A Capital sediou a reunião regional do Sul do país da ANTT com empresários do setor, órgãos estaduais e sindicatos da categoria. O presidente interino do Departamento Estadual de Transportes e Terminais (Deter), Tufi Michreff, disse que o órgão está finalizando um estudo em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para abrir a concorrência de quase mil linhas intermunicipais, pois essas concessões também venceram.

O presidente lembrou que as empresas estão em dificuldade e a inadimplência com o Estado cresceu. Só com a enchente do ano passado, calculou, as empresas tiveram prejuízo de R$ 10 milhões.

Dificilmente as empresas vão aceitar a redução da tarifa. Renan Chieppe, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), disse que isso poderia trazer consequências gerais como a qualidade do serviço.

Já há algum tempo não sou usuário regular de transporte coletivo, todavia, lembro-me bem da precariedade deste tipo de serviço quando precisei dele (com algumas honrosas exceções). Através de consultas a pessoas que ainda se valem deste meio de transporte, percebo que a situação não mudou muito.

Um exemplo pessoal ilustra bem a situação. No meu deslocamento à Florianópolis para o mestrado, rodo cerca de 460 Km (ida e volta). Meu carro consegue, com álcool, uma média de 9,5 Km/l, a um custo médio de R$ 1,67 / litro de álcool (o custo é médio porque na minha cidade pago R$ 1,79 o litro, enquanto na viagem consigo abastecer até por R$ 1,55 / litro). Fazendo as contas, gasto aproximadamente R$ 81,00 por viagem em combustível.

Consultando o valor da passagem rodoviária de Rio do Sul à Florianópolis (distância um pouco inferior a 200 km, ou 400 Km ida e volta), o preço por viagem gira em torno de R$ 40,00. Ou seja, considerando ida e volta o custo da viagem de ônibus equivale ao de combustível para me deslocar de automóvel.

Sim, há as demais despesas com a manutenção do veículo, desgaste, etc. Mas de ônibus ainda teria que ir e voltar da cidade de Rio do Sul (viagem cerca de 35 Km - 70 Km no total), encontrar e pagar por um local de estacionamento. Em Florianópolis, teria ainda que pagar táxi ou ônibus do terminal rodoviário até chegar à UDESC, onde estudo.

Além disso, ficaria dependente dos horários de ônibus, nem sempre confiáveis (isso sem mencionar o serviço precário, com veículos muitas vezes mal conservados, sujos e velhos), enquanto com meu automóvel posso viajar controlando melhor o tempo de deslocamento, os pontos de parada, etc.

Em resumo, não compensa, no meu caso e ao preço atual, o deslocamento por transporte coletivo.

Até que ponto análises como esta ajudam a explicar o grande número de veículos trafegando nas rodovias, tendo como consequência a elevação do número de acidentes, da poluição, etc?

Particulamente entendo que há uma relação direta entre a qualidade dos serviços de transporte e o volume de veículos em trânsito.

Por isso, mesmo entendendo a posição das empresas de transporte coletivo, acho extremamente válida a decisão de rever as concessões no estado de Santa Catarina.

Precisamos melhorar as condições de utilização deste serviço, oferecendo preços justos e serviços de qualidade, pois hoje, em meu ponto de vista, não desfrutamos de nenhum destes benefícios...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Livro do mês [7]


O livro: Gestão de logística, distribuição e trade marketing é um excelente guia para a compreensão da logística e de seus reflexos no dia-a-dia das organizações.

Escrito por professores da Fundação Getúlio Vargas, ele apresenta didaticamente e através de exemplos claros, os principais tópicos relacionados à logística, incluindo seus impactos na economia atual, os conceitos básicos sobre o tema, a aplicação das tecnologias da informação na logística, os canais de distribuição e o trade marketing.

De leitura leve, pode servir como livro introdutório a quem não está familiarizado sobre o tema, mas deseja (ou necessita) entende-lo.

Neste sentido, o livro é uma grande contribuição para o estudo da logística do Brasil, pois consegue sintetizar os conteúdos mais importantes da área e apresentá-los de forma acessível a todos, permitindo ainda também ser utilizado em cursos das área.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Novidades sobre o blog


Não gosto de escrever em primeira pessoa, entretanto, em algumas circunstâncias isto é inevitável. Primeiro quando é preciso expressar uma opinião própria, como acontece em alguns posts, e segundo, quando há necessidade de informar sobre questões pessoais.
Então vamos lá: quem ler o perfil aí ao lado irá perceber uma mudança, que é a inclusão do rótulo de "mestrando em administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina".
No início do ano passado, a decisão de me dedicar profissionalmente ao magistério superior exigiu mudanças, dentre as quais a preparação para o mestrado, indispensável hoje para quem atua na área. Após prova e entrevista, fui selecionado para a turma 2009 deste curso, reconhecido como um dos melhores do estado. As aulas iniciam hoje, dia 02/02/2009 em Florianópolis.
Assim, fica óbvio que a dinâmica do blog será alterada, visto que o árduo trabalho necessário a um mestrado irá reduzir o tempo que terei disponível para me dedicar a este espaço, mas prometo continuar atualizado sempre que houver uma folga. Aliás, como minha pesquisa para dissertação deverá tratar da área de logística, com certeza aproveitarei os temas para comentar aqui.
Um dos objetivos é, inclusive, tratar com maior ênfase a logística sob o aspecto acadêmico, sem no entanto se tornar apenas téorico, mas sim fazendo a relação dos temas com a prática profissional na área. Afinal, tenho recebido muitos e-mails de estudantes preocupados com seu futuro como profissionais de logística.
E fazendo um contraponto a tudo isto, agora o conteúdo do blog pode ser acessado também através de um dos principais sites de logística do país, o Webtranspo.
Como esta portal se dedica a atualizar notícias sobre a área, deixarei de publicar a série "logística na semana", visto que ela se tornará obsoleta diante do conteúdo disponível no site-parceiro, e que nunca consegui dar o ritmo desejado à atualização de notícias.
Desejo continuar recebendo a visita de todos. E agora, vou aos livros...

Resultado da Enquete

A última enquete realizada no blog Logística 8 perguntou: "Qual deveria ser a prioridade logística do Brasil em 2009?".

Os resultados foram os seguintes:

Melhorar a infra-estrutura rodoviária: 40%
Ampliar os aeroportos: 15%
Modernizar os portos:10%
Incentivar o transporte multimodal: 35%

Analisar estes resultados é um esforço interessante. A opção por "melhorar a infra-estrutura rodoviária" foi a mais votada, o que, em minha opinião, reflete a preocupação do público deste blog -na maioria profissionais ou estudantes de logística - com as condições do mais importante modal da matriz de transportes brasileiras.

É importante ressaltar que cerca de 60% da movimentação logística do Brasil acontece no modal rodoviário, logo, qualquer prejuízo às rodovias podem trazer consequências graves ao país, principalmente no aspecto econômico.

A saída que se impõe para atender este objetivo é a privatização das rodovias, visto que é notória a incapacidade pública de investir fortemente na área. O tema privatizações já foi abordado aqui, e certamente será retomado em algum momento.

Outro destaque da pesquisa foi a grande preocupação com o transporte multimodal, o que demonstra a qualificação dos leitores do blog, que conhecem bem esta alternativa, ainda misteriosa para o público em geral, mas tida como esperança de melhoria pelos profissionais da área.

O transporte multimodal também merecerá um post a parte em breve.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Logística na semana [edição 8]

Veja algumas notícias sobre logística que foram destaque durante a semana:

20/01
PORTO DE ITAJAÍ PROPÕE GRANDE PACTO
A Superintendência do Porto Municipal de Itajaí está propondo um pacto a todos os prestadores de serviço vinculados ao Complexo Portuário do Rio Itajaí...

ÁLCOOL DEIXARÁ DE SER ATRATIVO SE GASOLINA CAIR 13%
O álcool perderá competitividade se o preço da gasolina cair mais que 13%...

PORTO DE PARANAGUÁ CRESCE18,91% E É O TERCEIRO NO RANKING DE EXPORTAÇÃO
De janeiro a dezembro do ano passado, o Porto de Paranaguá obteve um crescimento de 18,91% na receita cambial. No período...

21/01
GOVERNO LEILOARÁ MAIS DE 3,6 MIL KM DE RODOVIAS NESTE ANO
O ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, informou hoje que o governo federal concederá mais 3,6 mil quilômetros de rodovias...

PETROBRÁS PODE REDUZIR PREÇOS DE COMBUSTÍVEIS SE PETRÓLEO MANTIVER A COTAÇÃO ATUAL
O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse hoje (21) que, se a cotação do barril de petróleo no mercado internacional...

LEILÕS DE RODOVIAS FEDERAIS OCORRERÃO AINDA NO PRIMEIRO SEMESTRE
Até o fim do primeiro semestre deste ano o governo quer conceder novos trechos de rodovias federais para a iniciativa privada...

22/01
ESTUDO DO TREM BALA DEVE SAIR ATÉ ABRIL
O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, afirmou que os estudos de viabilidade...

VALE ENCOMENDA 49 NAVIOS A ESTALEIROS NACIONAIS
Vale informou nesta quinta-feira que fechou contrato com três estaleiros nacionais...

APÓS 77 ANOS, GM PERDE A LIDERANÇA
O volume de vendas da gigante americana General Motors (GM) caiu 26%...

23/01
TRANSPORTE É O SETOR QUE MAIS REALIZA OBRAS, DIZ ANEFAC
Mesmo com a crise financeira mundial podendo atrapalhar os projetos do governo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no setor de transportes, este segmento...

ATRASOS EM VOOS DEVEM SER INFORMADOS
As companhias aéreas deverão informar os passageiros sobre atrasos ou cancelamentos...

MERCADO DO GÁS NATURAL ENFRAQUECE EM SC
As incertezas que rondam o cenário do Gás Natural Veicular (GNV) estão afetando diretamente...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Mercado de caminhões


Nos últimos anos o mercado nacional de caminhões estava muito aquecido. Para algumas marcas e modelos o prazo de entrega era superior a seis meses.
Com a crise econômica, uma diminuição na venda de caminhões era algo esperado, pois além da redução no movimento de cargas, as incertezas quanto a novos investimentos inibem os transportadores e autônomos.
A notícia a seguir é interessante pois apresenta uma tentativa de reação a este cenário adverso. Talvez os benefícios oferecidos sejam ainda insuficientes para a retomada dos negócios no patamar anterior ao último trimestre de 2008, entretanto, pode ser uma boa oportunidade para quem planeja a longo prazo e acredita na recuperação econômica.
O momento poderia ser aproveitado, ainda, para estimular a renovação da frota brasileira, que hoje tem idade média superior a 15 anos.
As novas tecnologias aplicadas tornaram os caminhões mais seguros, econômicos e confortáveis, aliando isto ainda à redução de impactos ambientais. Aproveitar tudo isto seria extremamente benéfico ao país, tanto no aspecto econômico quanto no social.
As vendas da indústria de ônibus e carretas sofreram uma redução de 25% desde outubro do ano passado por causa da escassez de crédito e aumento dos juros, devido a crise econômica mundial. A informação é de José Antonio Fernandes Martins, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), para quem o setor é muito dependente de financiamentos.

Martins considerou positiva a decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) em ampliar de 80% para 100% a participação de sua subsidiária Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial) em operações de financiamento a empresas de grande porte para compra de ônibus, chassis e carrocerias destinadas a veículos diversos. A resolução consta de portaria datada do dia 9 deste mês.

O presidente do Simefre disse hoje que a medida atende a pleito da entidade, e espera que a expansão dos
financiamentos do BNDES possa permitir uma retomada progressiva nas vendas de veículos de transporte.

As operações para as grandes empresas terão taxa fixa de 14,5% ao ano, mais taxa de remuneração do BNDES de 0,9% ao ano e taxa de remuneração do agente financeiro negociada entre as partes. A participação da Finame nas operações já é de até 100% para as pequenas e médias empresas do setor.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Reformar é preciso


A notícia a seguir destaca o plano de investimentos do governo para a manutenção das rodovias federais em 2009:
Na revisão dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo tomou a decisão de injetar R$ 2,6 bilhões na manutenção das rodovias federais.
Mais de 20 mil quilômetros de estradas serão restaurados em 2009, o que representa a cobertura de um terço da malha rodoviária federal.
Os investimentos nas rodovias, e conseqüentemente em geração de empregos, estarão concentrados em Estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia, os dois primeiros governados pela oposição.
As obras começam até o fim deste semestre, segundo informou o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.
Ainda neste primeiro trimestre, o governo federal fará uma licitação para restaurar cerca de 4 mil quilômetros de rodovias. Esses trechos se juntarão aos 16,3 mil quilômetros de estradas já licitados em 2008, cujas obras começam em 2009.
O secretário lembra ainda que serão concluídas no início deste ano obras de manutenção de outros 6 mil quilômetros de rodovias, contratadas em anos anteriores.
Paulo Sérgio Passos explica que Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul terão a maior parte do destino dos recursos porque concentram a maior extensão da malha rodoviária federal e apresentam os trechos com os maiores problemas de tráfego e com maior deterioração da rodovia.
No Rio de Janeiro, os recursos ajudarão a recuperar quatro rodovias. Estão previstas obras de R$ 90 milhões na BR-356, atingida pelas chuvas. Para a BR-101 Sul (Angra-Paraty), foram reservados R$ 55 milhões. Para a rodovia BR-354, que liga o Rio ao Sul de Minas, R 54 milhões. Já para a duplicação da BR-493, estão previstos R$ 280 milhões.
Ele destaca também obras nos Estados do Centro Oeste, que terão o objetivo de facilitar o escoamento da safra agrícola, principalmente de grãos, como a soja, que seguem para exportação nos portos do Sudeste e Sul. Em São Paulo, o número de estradas que passarão por manutenção é pequeno, já que a maioria das rodovias federais do Estado está concedida à iniciativa privada.
Do investimento de R$ 2,6 bilhões previsto para a manutenção de estradas neste ano, R$ 2,2 bilhões são de restos a pagar de 2008.
´Vamos fazer muita coisa em 2009´, prevê o secretário, lembrando que no ano passado foram investidos R$ 1,6 bilhão na recuperação de estradas.
Passos informou ainda que em 2008, em todos os seus segmentos de atuação, o Ministério dos Transportes empenhou R$ 9,9 bilhões do seu orçamento, aos quais se somaram R$ 7,4 bilhões de restos a pagar de 2007. Ao todo, foram pagos R$ 7,2 bilhões.
O secretário disse também que o Ministério está preparando uma licitação para a contratação de projetos de engenharia para 14 mil quilômetros de estradas. Esses projetos, explica, têm duração de cinco anos e servirão de base para a contratação futura de obras.
Todo movimento no sentido de melhorar a infra-estrutura rodoviária do país deve ser aplaudido, entretanto, é muito comum encontrar nas rodovias trechos recuperados que pouco tempo após a sua conclusão já apresentam condições idênticas ou até piores que anteriormente às reformas.
Cito como exemplo a BR 470 em Santa Catarina, que utilizo quase diariamente. Menos de dois anos após um trabalho realizado, já há inúmeros buracos justamente na parte da rodovia que foi "recuperada".
Logo, é preciso que no planejamento da aplicação dos recursos citados no artigo, mais do que apenas a busca pela redução do preço, aconteça, por parte do Ministério dos Transportes, uma preocupação com a qualidade dos serviços prestados, garantindo assim melhores condições aos usuários, e a correta utilização do dinheiro público.
Em tempo: quando pesquisava a imagem para este post, digitei no google "BR 470". Na aba das imagens, as cinco primeiras páginas traziam mais fotos de acidentes na rodovia que outros tipos de fotos ou figuras. Esta é uma formte triste de ilustrar a realidade enfrentada pelos usuários desta rodovia...